terça-feira, 12 de outubro de 2010

FISIOTERAPIA X MORTE.... COMO ENFRENTAR?

 A Morte é um tema pouco discutido,pois ninguém tem coragem de enfrentar essa realidade,essa realidade que todos nós enfrentaremos um dia.Mas quando pensamos em pacientes terminais nunca pensamos no que ele está sentindo,se sua vida está se chegando ao fim com dignidade e paz.Só quando a morte se nos apresenta de forma incontestável é que consideramos a própria mortalidade.Além das experiências com a morte,talvez a maior ameaça à nossa repressão ao medo da morte como fisioterapeutas seja cuidar de um paciente ou de um ente querido que esteja próximo do momento da morte.

Como profissional de saúde,você não será solicitado a dar esse nível de apoio e cuidados.No entanto,quando as pessoas amadurecem e enfretam o medo inato da morte,achamos que sua capacidade de confortar e dar apaoio a quem está morrendo é tudo o que é necessário em um momento que requer o máximo de habilidade e uma sensibilidade profunda.Quando vamos além  de nossas defesas com relação à morte,podemos então aprender como ser uma presença terapêutica para quem está morrendo.Quando afirmamos que a vida substitui a negação da morte,é por que temos o poder de fazer algo para melhorar a vida de alguém,o tempo todo. Não é fácil enfrentar o medo da morte,por isso evitamos de forma reflexiva.Mas,quando enfrentamos tal tarefa com coragem,experimentamos uma qualidade de crescimento que não tem igual em nosso desenvolvimento,tanto em termos pessoais como profissionais. A falta de preparo das equipes de saúde quando existe, no ambiente hospitalar, um temor pela morte como se tratasse de um forte potencial de “contágio”. Esse aspecto temerário e despreparado explica a solidão e a frieza das unidades de terapia intensiva, onde, muitas vezes, os doentes terminais morrem sem a chance de dizer uma última palavra aos que amam e sem estes lhes ofereçam qualquer conforto emocional.

A morte  nas unidades de terapia intensiva (UTI) existe entre seus usuários um grupo especial de pacientes que se caracteriza por utilizar uma infinidade de recursos tecnológicos e, mesmo assim, apresenta resultados persistentemente desanimadores. Cada vez mais, são avaliados com maior rigor os benefícios que tais pacientes obtêm em troca de tanto sofrimento e investimento.


Do ponto de vista ético, pretende-se evitar que esta tecnologia venha a se transformar em instrumento que prolongue o sofrimento e retarde, a qualquer custo, o inevitável processo de morte, submetendo o paciente a uma agonia por muito tempo. Antigamente o paciente em fase terminal morria em sua própria casa, lentamente, onde tinha tempo para despedir-se e passar seus últimos momentos com seus familiares. Nossa cultura científica e objetiva por excelência, muitas vezes acaba por deixar pessoas morrerem sozinhas, na assepsia fria dos hospitais e experimentando, como último sentimento, um dos medos mais primitivos do ser humano: a solidão .Com o desenvolvimento científico morrer tornou-se solitário e desumano. Geralmente o doente, cognominado doente Box A ou doente do Box B, é confinado ao seu leito onde aguarda a morte chegar, estando as pessoas seriamente preocupadas com o funcionamento de seus pulmões, secreções, pressão venosa central, traçado eletrocardiográfico, etc.

Diante do paciente terminal, quando a fisioterapia  já sabe que a doença venceu a guerra, não cabe mais ao terapeuta a tentativa de cura, muitas vezes extremamente sofrível e estéril, mas assistir, servir, confortar e cuidar. Se pretendermos ajudar alguém nessa fase, seja terapeuticamente, medicamente ou humanamente, deveremos nos informar e nos preparar para lidar com métodos artificiais.


O simples fato de estar vivo habilita o sujeito às leis da existência, as quais determinam o seu próprio término. Alivia, portanto, aceitar a transitoriedade da vida e da condição de existência humana. E essa regra se aplica a todos; ao paciente, ao médico, ao presidente da república e à todos os bilhões de pessoas desse nosso planeta. Convém ter sempre em mente que ninguém pode mudar o fato de que um dia vai acabar, mas podemos mudar o modo de nos relacionarmos com esse fato.
           
Por:  CITNHIA PIRES


Nenhum comentário:

Postar um comentário